Botequim do Galinho, Rua Saldanha da Gama. Neste local ocorreu a luta entre...

Bar do Galinho e Rua Saldanha da Gama Bar do Galinho e Rua Saldanha da Gama

Bar do Galinho e Rua Saldanha da Gama

Bar do Galinho e Rua Saldanha da Gama

 

Botequim do Galinho, Rua Saldanha da Gama. Neste local ocorreu a luta entre um grupo de capoeiras e um grupo de marinheiros de guerra, aportados na Baía de Todos os Santos, no ano de 1914. O confronto foi violento, envolvendo armas, o que resultou na morte de três pessoas, entre elas estava o célebre Pedro Mineiro, conhecido personagem da Capoeira baiana da primeira metade do século XX.

Professor Antonio Liberac Cardoso Simões Pires

Descricao “Tendo sido apresentado pelo segundo sargento do primeiro corpo do regimento policial José de Oliveira Carvalho o indivíduo de nome Pedro José Vieira”, esse é o nome do famoso Pedro Mineiro, nascido em 1887, um ano antes da abolição da escravatura em 1888, na cidade de Ouro Preto, Minas Gerais, o que valeu seu apelido. Ele trabalhava como marítimo e morava na Rua do Julião, Distrito do Pilar. Sua capoeira era a típica do século XIX, com a utilização de armas e transformada em conflitos nas ruas, o que explica sua aparição entre as notícias criminais, estampadas nos jornais da época.

Pedro Mineiro era um frequentador assíduo do Botequim do Galinho, situado na Rua Saldanha da Gama, nas imediações do Largo da Sé. Pedro Mineiro foi preso várias vezes nas imediações do botequim. Encontramos alguns processos criminais que revelam a faceta social de Pedro Mineiro . Teve uma ocasião que ele foi preso por ter brigado com Maria, que teria se envolvido com um tal de Candido, um caixeiro viajante. Pedro Mineiro não aceitou e agrediu Maria, foram parar na delegacia, foi solto após pagar fiança. De outra vez foi preso por ter brigado por causa de Isaura, sua amante.

O caso mais excepcional aconteceu no dia 26 de dezembro de 1914, cerca de 20 horas da noite, quando um grupo de marinheiros do Destroyer Piauí, da Marinha de Guerra, estava jantando. O grupo de capoeiras entrou no bar, era Pedro Mineiro , Sebastião José Souza e Antonio Freire. Parece que Maria José tinha feito uma reclamação do grupo de marinheiros, os capoeiras foram fazer a cobrança. A briga teve início, se estendendo pelas ruas em torno da Praça da Sé, pernas e braços entraram em ação. O grupo de marinheiros era formado por cinco pessoas, Candido, Augusto Ferreira, Joaquim Cardoso, José Domingos e Francisco Holanda . Eles apresentavam uma pequena vantagem numérica, acreditaram na superioridade e enfrentaram o exímio grupo de praticantes da capoeira da Bahia. Tinham que ganhar espaço, a luta foi feroz, as facas entraram em ação. Dois, entre os marinheiros, foram feridos e sucumbiram no confronto.

A capoeira, luta que envolve cantigas, ritmos, instrumentos musicais, também envolve a morte. Um movimento desferido com extrema precisão e velocidade pode prejudicar o adversário. Acompanhada de armas é fatal. Foi isso que aconteceu naquela ocasião. Pedro Mineiro matou dois entre eles, e os outros conseguiram fugir e retornar ao navio. Os dois mortos eram naturais de Alagoas, marinheiros de segunda classe. O comandante do navio de guerra não gostou da notícia e se dirigiu a secretaria de polícia, exigindo a prisão dos assassinos. Não teve jeito, a ordem vinha de cima, eles tiveram que prender Pedro Mineiro , o qual se apresentou como “secreta da polícia”.

Pedro Mineiro , como um bom capoeira, malandro, negou qualquer envolvimento no caso ao ser interrogado pelo chefe de polícia. Cândido, um dos marinheiros, sobreviventes da luta da morte, sacou um revólver e disparou dois tiros em Pedro Mineiro , dentro da delegacia. Ele ainda resistiu por cerca de 20 dias e sucumbiu aos ferimentos, morrendo no dia 15 de janeiro de 1915. O caso de sua morte entrou para a história brasileira, sendo descrita em diversos livros acadêmicos e, principalmente, em um uma cantiga tradicional da capoeira que fala assim:

“Mataram Pedro Mineiro dentro da secretaria, ao prestar depoimento daquilo que não sabia, e viva meu Deus, viva meu Deus camará”.

 






 

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